Relato – Tour ao Salar de Uyuni

Preparação

Existem duas maneiras de cruzar o salar de Uyuni, partindo da Bolívia na cidade de mesmo nome e partindo do Chile pela cidade de San Pedro de Atacama. Se você está saindo do Brasil vale mais a pena ir pela Bolívia (existem mais opções de agência e o preço é menor), como minha jornada começou no sul do Chile, eu fiz a travessia por San Pedro.

Poucas agências em San Pedro vendem o tour pelo salar, eu fiz com a Colque Tour e preço foi 90mil pesos chilenos (140 USD) (mas eu precisei chorar um pouco para conseguir), aí começa a pegadinha: como o salar fica na Bolívia, apenas empresas bolivianas podem realizar o passeio. Então não importa o que falem para você, quais maravilhas ou garantias o vendedor deu as empresas chilenas SIMPLESMENTE contratam empresas bolivianas para realizar o passeio e na hora do vamos ver o carro, motorista, comida e hospedagem serão responsabilidades da empresa boliviana.

Comprado o passeio, eu precisava ainda comprar os mantimentos: protetor labial, lanches, papel higiênico, lenços humedecidos e ÁGUA (3 litros) tudo isso foi superfácil de encontrar em San Pedro. Também era importante organizar a mochila (as mochilas vão amarradas no teto do carro, então coloquei os itens críticos numa mochila de mão: câmera, garrafinha de água, protetor solar, lanchinho, luvas, meias, máscara* e óculos de sol) não dá para colocar muita coisa na mochila de mão porque ela vai durante 15h no seu colo cada dia, então quanto mais cheia mais desconfortável vai ser a viagem (e tenha certeza que essa viagem não é famosa por ser confortável).

Relato – Tour ao Salar de Uyuni Maior planície de sal do mundo com 10mil km², o salar de Uyuni é uma maravilha da natureza localizada no sudoeste boliviano. Se você quer se preparar para viver esta aventura, veja aqui como foi que eu enfrentei o desafio. Leia mais.  Preparação Existem duas maneiras de cruzar o salar de Uyuni, partindo da Bolívia na cidade de mesmo nome e partindo do Chile pela cidade de San Pedro de Atacama. Se você está saindo do Brasil vale mais a pena ir pela Bolívia (existem mais opções de agência e o preço é menor), como minha jornada começou no sul do Chile, eu fiz a travessia por San Pedro. Poucas agências em San Pedro vendem o tour pelo salar, eu fiz com a Colque Tour e preço foi 90mil pesos chilenos (140 USD) (mas eu precisei chorar um pouco para conseguir), aí começa a pegadinha: como o salar fica na Bolívia, apenas empresas bolivianas podem realizar o passeio. Então não importa o que falem para você, quais maravilhas ou garantias o vendedor deu as empresas chilenas SIMPLESMENTE contratam empresas bolivianas para realizar o passeio e na hora do vamos ver o carro, motorista, comida e hospedagem serão responsabilidades da empresa boliviana. Comprado o passeio, eu precisava ainda comprar os mantimentos: protetor labial, lanches, papel higiênico, lenços humedecidos e ÁGUA (3 litros) tudo isso foi superfácil de encontrar em San Pedro. Também era importante organizar a mochila (as mochilas vão amarradas no teto do carro, então coloquei os itens críticos numa mochila de mão: câmera, garrafinha de água, protetor solar, lanchinho, luvas, meias, máscara* e óculos de sol) não dá para colocar muita coisa na mochila de mão porque ela vai durante 15h no seu colo cada dia, então quanto mais cheia mais desconfortável vai ser a viagem (e tenha certeza que essa viagem não é famosa por ser confortável).   Dia 1 Um motorista da agência chilena veio me buscar bem cedo no hostel e em seguida saiu para pegar os outros companheiros de passeio. 7h da manhã estávamos na imigração chilena para registrar a saída do país (o prédio nem estava aberto, o motorista deu um jeitinho para fazer a nós sermos os primeiros porque já tinha fila do lado de fora). Carimbada a saída andamos uns 30km de carro antes de chegar no lado boliviano da fronteira. O lado boliviano da fronteira podia ser cenário de filme: Uma casinha bem antiga, com uma janela quadrada suja e algumas frestas na parede, na frente casa o gelo cobra o chão e o vento forte do local fazia com que a porta ficasse batendo (a porta e os meus dentes QUE FRIO!!!). Do lado de dentro duas mesinhas de escola, um homem fardado em cada uma ficava com rispidez pedindo os documentos dos que estavam ali. Carimbei meu passaporte e saí antes que alguém resolvesse sacar uma serra elétrica rsrsrs.   A essa altura o motorista chileno já tinha se juntado com o boliviano e estavam tentando arrumar uma mesinha de café da manhã para a gente, mas o vento era tão forte que fazia a mesa voar, nos juntamos ao redor e comemos o mais rápido possível: sanduiches de queijo, leite, café e bolachas. Neste ponto o motorista nos apresentou ao motorista boliviano que conduziria o passeio dali em diante se despediu de todos e voltou ao chile. O motorista boliviano se chamava Bráulio, junto com ele havia um jovem supertímido Omar que estava aprendendo o ofício para ser guia no futuro. Entre os turistas haviam 3 brasileiras e um casal chileno.   O carro em que fomos era um Toyota land cruiser, sem muito glamour de carro novo, mas não nos deixou na mão e isso é o que importa.    Antes de começar o passeio fomos à entrada do parque, um escritório (bem mais conservado que a imigração) com oficiais fiscalizando quem entra e sai do parque, pagamos a taxa de 150 boliviano e seguimos para a primeira parada oficial do tour. A primeira parada é a laguna blanca, todos descem, tiram fotos e em 20 minutos seguimos para a laguna verde (bem próximo dali). É interessante notar quem em toda a região cada lagoa tem uma cor diferente em virtude dos minerais que estão presentes no solo. A laguna verde é bem mais bonita que a blanca.   Já na hora do almoço paramos em uma pequena piscina termal, MARAVILHA, não era pago para mergulhar, MELHOR AINDA, havia um vestiário simples, mas ok para trocar de roupa, ÓTIMO, o desafio mesmo eram os 30 segundos de caminhada entre o vestiário e a piscina só de sunga numa temperatura de 10 graus num local onde furacão é brisa... o jeito é correr mesmo.  Depois desse breve momento morninho (último contato com água no corpo nos próximos dois dias, APROVEITE) vamos até um restaurante na área da piscina almoçar. O almoço era supersimples, mas foi o melhor dos 3 dias de viagem: frango, arroz, batata cozida, salada e refrigerante. Todos comem com calma e quando terminam vamos aos gêiseres. Esta foi uma parada muito rápida, não só porque a paisagem não tem nada de bonita para tirar foto, mas também porque o cheiro dos gêiseres é insuportável. O odor de enxofre é tanto que em 2 minutos eu fiquei nauseado, todo mundo fica desconfortável ali, o guia para porque está no caminho mesmo custa nada conhecer.    A última parada do primeiro dia é na laguna colorada, a famosa lagoa com os flamingos cor de rosa. O local é bonito e os flamingos são bem interessantes, é curioso que eles nascem brancos e ficam rosas porque se alimentam naquela lagoa que tem algum mineral rosa, chegar perto dos flamingos é perigoso, isso porque as bordas da lagoa são uma espécie de lamaçal bem MUIIIITO ESCORREGADIO, eu vi muitas pessoas “patinando” e eu mesmo quase caí. Já com o sol se pondo chegamos ao primeiro alojamento do passeio e a hora da verdade para mim.   Deixa eu explicar melhor: eu fiz este passeio em agosto, era inverno na região, todos os meus conhecidos que fizeram este passeio antes de mim falaram que era muito frio, insuportável, que eu morreria sem um saco de dormir etc etc etc.... mas como eu sou pão duro profissional eu não quis comprar um saco de dormir só para isso e como eu não voltaria a san Pedro não havia como alugar, o negócio era enfrentar o frio. O alojamento me animou, era supersimples e sem calefação, mas feito de alvenaria com paredes e teto ok. Em diversos momentos eu achei que pudéssemos dormir em um camping improvisado. Antes de dormir todos tivemos uma janta simples, conversamos e jogamos baralho... a esta altura o grupo já estava bem enturmado e fazíamos brincadeiras uns com os outros. O banheiro não tinha água quente e mesmo para escovar os dentes foi um sofrimento, ninguém arriscou tomar banho. As camas tinham um lençol e um edredom cada, mas eu era o único sem saco de dormir.   Dormi com uma jaqueta de frio, 1 segunda pele e mais 2 camisas, 3 calças, 3 pares de meia, dois pares de luva, o lençol e o edredom, E AINDA ASSIM SENTI FRIO. Não foi um frio insuportável como dizia a lenda, mas como minha roupa não era a mais apropriada umas partes do meu corpo ficavam mais quentes outras mais fria e eu tinha que ir ajustando. De qualquer modo FOI A NOITE MAIS FRIA DA MINHA VIDA.  Dia 2 Acordamos, comemos e por volta das 8h saímos em direção ao “arbol de piedra”, não sei exatamente o porquê, mas a partir deste momento a altitude começou a fazer um efeito muito forte em mim.  Todo o percurso do passeio no deserto tem altitude superior a 3mil metros, segundo o guia estávamos passando o trecho mais alto entre 4mil e 4mil e 500.   Eu tinha muitas náuseas e dor de cabeça, o próprio ar do interior do carro me dava enjoo, mas não havia muito que fazer era mascar coca e aguentar firme. Bráulio notou que eu não estava bem e me deu uma pedrinha que eu deveria mascar junto com a folha de coca. Neste momento eu vou abrir um parêntese para quem nunca mascou folha de coca:  Segundo os cientistas, in-natura a planta não tem cocaína ou outras substancias viciantes (mas na minha opinião 90% da população boliviana é viciada na folha, tira a folhinha deles e vai parecer os cracudinho), a parada tem um gosto HORRÍVEL!!!, imagine a coisa mais desagradável que algum dia respingou na sua boca, adicione uma pitada de grama e uma colher de sopa de mijo de gato, voila!! Esse é o gosto da folha de coca. Um sabor tão forte e amargo que acorda qualquer um, o efeito em mim era similar a cafeína e de alguma forma ajudava a aliviar o desconforto da altitude. A tal pedrinha (que eu esqueci o nome) não tinha um gosto tão ruim, tinha gosto de areia mesmo, mas era uma areia picante e fazia o efeito ainda mais rápido que a folha, ajudou muito.   Neste dia a maior parte do tempo percorremos o deserto, inclusive o almoço improvisado no carro mesmo: macarrão com atum, salada e refrigerante. Neste dia a gente cruzou com trilhos de trem e também com carros de rally (o rally Paris-Dakar passa por aqui). Existem duas paradas em vilarejos no meio do nada, essas paradas servem para a gente descansar da longa viagem, comprar alguma coisa nos mercadinhos (eles vendem cerveja de quinoa, mas eu não quis provar) e também para ver a dura realidade das pessoas que moram ali, eu simplesmente não consegui acreditar por que e como alguém consegue morar ali. Perto do pôr-do-sol chegamos ao hotel de sal, onde será o segundo pernoite.   O alojamento é literalmente todo feito de sal, paredes, cadeiras, mesas, a cama (o colchão não, mas a base das camas sim). Isso acontece porque as condições de acesso ali são tão difíceis e o sal tão abundante que é mais fácil improvisar com ele do que trazer os materiais de outros locais, mas no final o lugar vira uma atração turística. Estava incluso no passeio uma garrafa de vinho que o grupo escolheria o dia para beber, escolhemos esta noite e juntamos com outras bebidas e petiscos e fizemos uma pequena confraternização.   No alojamento de sal a noite não foi tão fria, eu dormi com uma calça e uma segunda pele mais os edredons. Dia 3 Acordamos cedo e fomos para o trecho final da nossa aventura, poucos quilômetros adiante a paisagem já mudava completamente, saiam as montanhas, pedras, areia e vegetação desértica e no lugar entrou uma imensidão de sal. É uma coisa impossível de descrever, é como tentar descrever a praia para quem nunca viu, por infinitos quilômetros, até onde a vista alcançava tudo branco, nenhuma pedra, buraco, lombada, morro ou vegetação, apenas sal puro sal, com grãos tipo sal grosso, mas incrustrados formando grandes blocos. Por um breve momento uma formação modifica aquela paisagem, é a Isla Incahuasi, literalmente uma ilha de pedra formada no meio do sal, nesta rocha vários cactos brotaram e formaram uma paisagem diferente de tudo no mundo. Para fazer a caminhada na ilha é cobrado 30 bolivianos (não está incluso na entrada do parque), a caminhada é bem curta e fácil e dura mais ou menos uma hora. Dá para tirar umas fotos legais já que a ilha é a parte mais alta numa imensidão de sal.   Depois dessa parada, voltamos para o carro e partimos para o coração do salar o local com horizonte infinito onde todos tiram as fotos engraçadas. O lugar é tão grande que apesar de termos certeza que há uns 20 outros grupos fazendo o mesmo passeio não conseguimos ver nenhuma alma viva. Mais tarde paramos no museu do sal, novamente uma construção toda feita de sal, com algumas esculturas também feitas de sal e um restaurante, tivemos ali o último almoço coletivo do grupo.   A última parada do passeio é o cemitério de trens, no local há vários trens destruídos com algumas peças gigantes espalhadas.    Nesse ponto já estamos bem perto do vilarejo de Uyuni, local onde termina o passeio. Aqueles que vão voltar ao Chile, tem um tempo para comer algo e usar o banheiro antes de pegar um jeep para voltar o mesmo caminho (só que sem paradas), no meu grupo apenas uma garota fez isso e ela falou que foi um dia inteiro super cansativo. Após dividir 3 dias bem intensos (e apertados) nessa aventura, todos do grupo estão bem unidos e nos sentimos como grandes amigos. Eu, inclusive, mudei meus planos e fui com o casal chileno até Potosí cidade a 2h30 dali onde a nossa aventura continuou, mas essa é uma outra história.
o mapa da nossa aventura

Dia 1

Um motorista da agência chilena veio me buscar bem cedo no hostel e em seguida saiu para pegar os outros companheiros de passeio. 7h da manhã estávamos na imigração chilena para registrar a saída do país (o prédio nem estava aberto, o motorista deu um jeitinho para fazer a nós sermos os primeiros porque já tinha fila do lado de fora). Carimbada a saída andamos uns 30km de carro antes de chegar no lado boliviano da fronteira.

O lado boliviano da fronteira podia ser cenário de filme: Uma casinha bem antiga, com uma janela quadrada suja e algumas frestas na parede, na frente casa o gelo cobra o chão e o vento forte do local fazia com que a porta ficasse batendo (a porta e os meus dentes QUE FRIO!!!). Do lado de dentro duas mesinhas de escola, um homem fardado em cada uma ficava com rispidez pedindo os documentos dos que estavam ali. Carimbei meu passaporte e saí antes que alguém resolvesse sacar uma serra elétrica rsrsrs.

fila na imigração boliviana
fila na imigração boliviana

A essa altura o motorista chileno já tinha se juntado com o boliviano e estavam tentando arrumar uma mesinha de café da manhã para a gente, mas o vento era tão forte que fazia a mesa voar, nos juntamos ao redor e comemos o mais rápido possível: sanduiches de queijo, leite, café e bolachas. Neste ponto o motorista nos apresentou ao motorista boliviano que conduziria o passeio dali em diante se despediu de todos e voltou ao chile.

O motorista boliviano se chamava Bráulio, junto com ele havia um jovem supertímido Omar que estava aprendendo o ofício para ser guia no futuro. Entre os turistas haviam 3 brasileiras e um casal chileno.

perdidos no deserto

O carro em que fomos era um Toyota land cruiser, sem muito glamour de carro novo, mas não nos deixou na mão e isso é o que importa.

com emoçao

Antes de começar o passeio fomos à entrada do parque, um escritório (bem mais conservado que a imigração) com oficiais fiscalizando quem entra e sai do parque, pagamos a taxa de 150 boliviano e seguimos para a primeira parada oficial do tour.

A primeira parada é a laguna blanca, todos descem, tiram fotos e em 20 minutos seguimos para a laguna verde (bem próximo dali). É interessante notar quem em toda a região cada lagoa tem uma cor diferente em virtude dos minerais que estão presentes no solo. A laguna verde é bem mais bonita que a blanca.

laguna verde

Já na hora do almoço paramos em uma pequena piscina termal, MARAVILHA, não era pago para mergulhar, MELHOR AINDA, havia um vestiário simples, mas ok para trocar de roupa, ÓTIMO, o desafio mesmo eram os 30 segundos de caminhada entre o vestiário e a piscina só de sunga numa temperatura de 10 graus num local onde furacão é brisa… o jeito é correr mesmo.

ultimo contato com água nos próximos dias
ultimo contato com água nos próximos dias

 

Depois desse breve momento morninho (último contato com água no corpo nos próximos dois dias, APROVEITE) vamos até um restaurante na área da piscina almoçar. O almoço era supersimples, mas foi o melhor dos 3 dias de viagem: frango, arroz, batata cozida, salada e refrigerante. Todos comem com calma e quando terminam vamos aos gêiseres.

Esta foi uma parada muito rápida, não só porque a paisagem não tem nada de bonita para tirar foto, mas também porque o cheiro dos gêiseres é insuportável. O odor de enxofre é tanto que em 2 minutos eu fiquei nauseado, todo mundo fica desconfortável ali, o guia para porque está no caminho mesmo custa nada conhecer.

geyser sol de manana, também conhecido como geyser peido de tarde
geyser sol de manana, também conhecido como geyser peido de tarde

A última parada do primeiro dia é na laguna colorada, a famosa lagoa com os flamingos cor de rosa. O local é bonito e os flamingos são bem interessantes, é curioso que eles nascem brancos e ficam rosas porque se alimentam naquela lagoa que tem algum mineral rosa, chegar perto dos flamingos é perigoso, isso porque as bordas da lagoa são uma espécie de lamaçal bem MUIIIITO ESCORREGADIO, eu vi muitas pessoas “patinando” e eu mesmo quase caí.

Já com o sol se pondo chegamos ao primeiro alojamento do passeio e a hora da verdade para mim.

hospedagem meia estrela
hospedagem meia estrela

Deixa eu explicar melhor: eu fiz este passeio em agosto, era inverno na região, todos os meus conhecidos que fizeram este passeio antes de mim falaram que era muito frio, insuportável, que eu morreria sem um saco de dormir etc etc etc…. mas como eu sou pão duro profissional eu não quis comprar um saco de dormir só para isso e como eu não voltaria a san Pedro não havia como alugar, o negócio era enfrentar o frio.

O alojamento me animou, era supersimples e sem calefação, mas feito de alvenaria com paredes e teto ok. Em diversos momentos eu achei que pudéssemos dormir em um camping improvisado.

Antes de dormir todos tivemos uma janta simples, conversamos e jogamos baralho… a esta altura o grupo já estava bem enturmado e fazíamos brincadeiras uns com os outros.

O banheiro não tinha água quente e mesmo para escovar os dentes foi um sofrimento, ninguém arriscou tomar banho. As camas tinham um lençol e um edredom cada, mas eu era o único sem saco de dormir.

não da pra calcular o frio que foi dormir ai
não da pra calcular o frio que foi dormir ai

Dormi com uma jaqueta de frio, 1 segunda pele e mais 2 camisas, 3 calças, 3 pares de meia, dois pares de luva, o lençol e o edredom, E AINDA ASSIM SENTI FRIO. Não foi um frio insuportável como dizia a lenda, mas como minha roupa não era a mais apropriada umas partes do meu corpo ficavam mais quentes outras mais fria e eu tinha que ir ajustando. De qualquer modo FOI A NOITE MAIS FRIA DA MINHA VIDA.

Dia 2

Acordamos, comemos e por volta das 8h saímos em direção ao “arbol de piedra”, não sei exatamente o porquê, mas a partir deste momento a altitude começou a fazer um efeito muito forte em mim.

Todo o percurso do passeio no deserto tem altitude superior a 3mil metros, segundo o guia estávamos passando o trecho mais alto entre 4mil e 4mil e 500.

árbol de piedra
árbol de piedra

Eu tinha muitas náuseas e dor de cabeça, o próprio ar do interior do carro me dava enjoo, mas não havia muito que fazer era mascar coca e aguentar firme. Bráulio notou que eu não estava bem e me deu uma pedrinha que eu deveria mascar junto com a folha de coca. Neste momento eu vou abrir um parêntese para quem nunca mascou folha de coca:

Segundo os cientistas, in-natura a planta não tem cocaína ou outras substancias viciantes (mas na minha opinião 90% da população boliviana é viciada na folha, tira a folhinha deles e vai parecer os cracudinho), a parada tem um gosto HORRÍVEL!!!, imagine a coisa mais desagradável que algum dia respingou na sua boca, adicione uma pitada de grama e uma colher de sopa de mijo de gato, voila!! Esse é o gosto da folha de coca. Um sabor tão forte e amargo que acorda qualquer um, o efeito em mim era similar a cafeína e de alguma forma ajudava a aliviar o desconforto da altitude.

A tal pedrinha (que eu esqueci o nome) não tinha um gosto tão ruim, tinha gosto de areia mesmo, mas era uma areia picante e fazia o efeito ainda mais rápido que a folha, ajudou muito.

perdido em marte
perdido em marte

Neste dia a maior parte do tempo percorremos o deserto, inclusive o almoço improvisado no carro mesmo: macarrão com atum, salada e refrigerante. Neste dia a gente cruzou com trilhos de trem e também com carros de rally (o rally Paris-Dakar passa por aqui). Existem duas paradas em vilarejos no meio do nada, essas paradas servem para a gente descansar da longa viagem, comprar alguma coisa nos mercadinhos (eles vendem cerveja de quinoa, mas eu não quis provar) e também para ver a dura realidade das pessoas que moram ali, eu simplesmente não consegui acreditar por que e como alguém consegue morar ali. Perto do pôr-do-sol chegamos ao hotel de sal, onde será o segundo pernoite.

O alojamento é literalmente todo feito de sal, paredes, cadeiras, mesas, a cama (o colchão não, mas a base das camas sim). Isso acontece porque as condições de acesso ali são tão difíceis e o sal tão abundante que é mais fácil improvisar com ele do que trazer os materiais de outros locais, mas no final o lugar vira uma atração turística. Estava incluso no passeio uma garrafa de vinho que o grupo escolheria o dia para beber, escolhemos esta noite e juntamos com outras bebidas e petiscos e fizemos uma pequena confraternização.

é só esfregar a carne na parede antes de assar
é só esfregar a carne na parede antes de assar

No alojamento de sal a noite não foi tão fria, eu dormi com uma calça e uma segunda pele mais os edredons.

Dia 3

Acordamos cedo e fomos para o trecho final da nossa aventura, poucos quilômetros adiante a paisagem já mudava completamente, saiam as montanhas, pedras, areia e vegetação desértica e no lugar entrou uma imensidão de sal. É uma coisa impossível de descrever, é como tentar descrever a praia para quem nunca viu, por infinitos quilômetros, até onde a vista alcançava tudo branco, nenhuma pedra, buraco, lombada, morro ou vegetação, apenas sal puro sal, com grãos tipo sal grosso, mas incrustrados formando grandes blocos.

Por um breve momento uma formação modifica aquela paisagem, é a Isla Incahuasi, literalmente uma ilha de pedra formada no meio do sal, nesta rocha vários cactos brotaram e formaram uma paisagem diferente de tudo no mundo. Para fazer a caminhada na ilha é cobrado 30 bolivianos (não está incluso na entrada do parque), a caminhada é bem curta e fácil e dura mais ou menos uma hora. Dá para tirar umas fotos legais já que a ilha é a parte mais alta numa imensidão de sal.

Depois dessa parada, voltamos para o carro e partimos para o coração do salar o local com horizonte infinito onde todos tiram as fotos engraçadas. O lugar é tão grande que apesar de termos certeza que há uns 20 outros grupos fazendo o mesmo passeio não conseguimos ver nenhuma alma viva.

Mais tarde paramos no museu do sal, novamente uma construção toda feita de sal, com algumas esculturas também feitas de sal e um restaurante, tivemos ali o último almoço coletivo do grupo.

ultimo almoço em “família”

A última parada do passeio é o cemitério de trens, no local há vários trens destruídos com algumas peças gigantes espalhadas.

pra ficar monstro
pra ficar monstro

Nesse ponto já estamos bem perto do vilarejo de Uyuni, local onde termina o passeio. Aqueles que vão voltar ao Chile, tem um tempo para comer algo e usar o banheiro antes de pegar um jeep para voltar o mesmo caminho (só que sem paradas), no meu grupo apenas uma garota fez isso e ela falou que foi um dia inteiro super cansativo.

Após dividir 3 dias bem intensos (e apertados) nessa aventura, todos do grupo estão bem unidos e nos sentimos como grandes amigos. Eu, inclusive, mudei meus planos e fui com o casal chileno até Potosí cidade a 2h30 dali onde a nossa aventura continuou, mas essa é uma outra história.

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About bolds

Rafael Lima, autor do tomate chinês, tem 26 anos é formado em computação e trabalha numa empresa de petróleo. Criou o site para explorar o seu potencial criativo que ficava reprimido dentro do escritório.