Tailândia e o guia básico da realização dos sonhos

Pronto para viajar?Um país que é o destino dos sonhos de casais em lua de mel, solteiros procurando aventura, amantes da natureza, da luta, mochileiros, pessoas procurando a paz interior. A Tailândia possui roteiros para todas essas tribos e provavelmente para a sua também, entenda o que há de tão especial nesse cantinho da Ásia.

Estava vagando no MelhoresDestinos em busca de coordenadas para minhas férias, precisava fugir de roteiros óbvios como EUA e Europa, culturas muito convergentes com a brasileira. Precisava de algo diferente, que me marcasse, acrescentasse algo a minha essência… precisava de um lugar onde pudesse me perder e encontrar um novo norte.

O objetivo do texto que segue não é dar um roteiro ou passar informações turísticas sobre a Tailândia, vim trazer um pouco do que vivi e encontrei lá. Como o texto ficou maior do que eu planejei, se estiver buscando um tópico específico pode clicar em alguma das palavras chave abaixo para ser direcionado ao referido trecho.

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Um mapa por favor

No primeiro momento, conhecia sobre Tailândia só o que é senso comum: sudeste da Ásia, praias, budismo, massagem, muay tay.  Precisei minimamente estudar, planejar um roteiro, entender a estrutura do país, as leis, os custos, o clima, o idioma… enfim sempre fui um cara metódico e apesar de buscar uma aventura, queria estar preparado para ela.

A Tailândia é um país no sudeste asiático, com mais de 60 milhões de habitantes, possuindo renda per capta e IDH bem semelhantes ao Brazil. O país reúne história e tradições seculares vizinhas a tecnologia de ponta e o crescimento econômico dos tigres asiáticos. Alheio as divisões oficiais, encontrei e organizei meu roteiro em três áreas, cada uma possuindo características próprias que me levaram lá, em cada área visitada escolhi uma base e promovi os deslocamentos a partir desta:

  • Centro (Bangkok): tudo em um, na região central da Tailândia pode-se encontrar uma amostra de tudo que existe no país, por ser uma metrópole gigante Bangkok tem similaridades com cidades do ocidente, o que me levou a não ficar só ali e procurar in loco mais elementos.
  • Noroeste (Chiang Mai): Tradição, natureza e paz. A área é famosa por trilhas, reservas de elefantes, espiritualidade, tradições e pelo baixo custo de vida.
  • Sul (Krabi): Praia, descanso e amor. Área onde localizam-se a maioria das ilhas da Tailândia, destino perfeito para uma lua-de-mel, uma massagem na areia, um amor à primeira vista.

Fim da aula de geografia, vamos a viver o que há para aprender.

Bem-vindo a Bangkok

O aeroporto Suvarnabhumi é o maior e um dos mais modernos em que já estive, lá pela primeira vez na vida vi vantagem em ser brasileiro, isso porque enquanto centenas de indianos (havia muitos mesmo), vários europeus e americanos se amontoam nas filas da alfândega, nós tupiniquins temos o privilégio de usar a fila VIP, mesma usada pelo pessoal da primeira classe(isso vem de um acordo bilateral entre os países, inclusive a duração do visto é diferenciada enquanto turistas em geral podem permanecer por 30 dias na Tailândia, os brasileiros, se ingressando por via aérea, tem visto de 90 dias).

Após 28 horas quase ininterruptas de voo estava exausto, mas eram 11 horas da manhã e tinha fome, então após fazer o check-in no hostel parti para a primeira aventura gastronômica no país. Sou um cara bem chato para comer e dada as circunstancias não queria ficar muito tempo procurando lugar, escolhendo prato e esperando a comida… solução? McDonalds! Afinal tem em todo lugar do mundo e não tem como ser muito diferente.

Parece gostoso
Prato escolhido no Mc Dondald’s

Escolhi o prato pelas fotos (obviamente não entendia nada do que estava escrito), estava bonito, quando dei a primeira mordida senti algo estranho na língua, alguns segundos e outra garfada depois me dei conta que não era algo estranho… era PIMENTA! Muita pimenta, no minuto seguinte já tinha engolido o copo de refrigerante que pedi. Estava com fome e mesmo aquilo subindo 3Cº a minha temperatura corporal me forcei a comer, cada garfada era uma lagrima, entre as garfadas abanava minha língua com a mão e respirava fundo… as pessoas me olhavam, tinham certeza que eu era um aliem. Até que depois de algum tempo uma funcionária educadamente me ofereceu um copo de 1 litro de coca cola. Desse momento em diante, acrescentei às palavras mágicas “por favor” e “obrigado” a indispensável: “mai piet” que significa algo como “sem pimenta”.

A comida tailandesa é muito picante e temperada, uma consequência direta disso são os aromas, no horário do almoço andando pelas ruas você sente uma infinidade de cheiros… é bom, mas não recomendo a pessoas que enjoam fácil ou grávidas, ir a um mercado popular da Tailândia é uma experiência sensorial única. Outra característica da culinária é que não há faca nas mesas, se usa garfo e colher ou hashi e colher (para caldos), a refeição já chega fatiada na mesa.

Põe mais água no feijão

Os tailandeses são muito receptivos, sabe aquelas cidades do interior onde você chega para só tomar um copo de água e o anfitrião faz um almoço especial e todos da casa sentam para ouvir suas histórias? É assim que você se sente aqui. Não apenas as pessoas são receptivas, mas também os funcionários são empenhados em realizar um bom serviço, da barraca de comida na beira da rua ao SPA 5 estrelas, todos realizam o trabalho com muito carinho para agradar o cliente, em toda viagem não tive nenhuma insatisfação quanto aos serviços que recebi. Entretanto, pechinchar é preciso o povo aqui gosta de negociar. Com exceção das grandes redes e lojas de shopping, o comércio em geral não põe o preço nos produtos e quando você perguntar NUNCA deve aceitar a primeira oferta, a estratégia que funcionou bem para mim era pedir 50% de desconto e aceitar 30%, isso se aplica a produtos e serviços e se possível olhe uma loja concorrente e diga que receber uma oferta menor, não pode ter vergonha tem que literalmente fazer teatro.

O país é bem preparado para o turismo, há informações em inglês em todos os pontos turísticos e apesar da população em geral não falar tão bem todos se esforçam muito para entender-nos. As de câmbio aceitam moeda americana, europeia, britânica, japonesa, australiana e russa(que eu me lembre) e estão presentes em literalmente todas as esquinas, mesmo em cidades pequenas, bem como os serviço e passeios para turista, depois de estar lá voltei ao Brazil tendo certeza que o nosso país é inóspito para os estrangeiros.

Khao San Road o prisma do universo

Sabe quando você joga luz num prisma de vidro e vê um arco-íris se formando? É exatamente isso que acontece em Khao San! Todas as vibrações se separam e fundem no lugar mais densamente cosmopolita do mundo. Uma rua de menos de 1km no centro de Bangkok, onde é possível encontrar literalmente tudo e onde todos se encontram. Tatuagens, identidades falsas, ternos de extrema qualidade, escorpiões vivos ou no espetinho, joias, videntes, massagens, artistas de rua, mágicos e até mesmo raquete (+18) se for listar o que é possível comprar/fazer em Khao San teremos um mini índice do universo. É por isso que essa rua é parada obrigatória para qualquer mochileiro que esteja na região, o lugar perfeito para uma amizade instantânea ou para qualquer tipo de experimento social a diversidade de tribos é tanta que você irá encontrar sua alma gêmea e seu arqui-inimigo na mesma rua. Em menor escala é possível comparar a Av. Mém de Sá (Lapa, Rio de Janeiro ) com a Khao San, entretanto a avenida carioca é maior e tem menos diversidade.

Kaoh San Road, em Bangkok a rua mais cosmopolita do mundo
Kaoh San Road, o maior hub de mochileiros do mundo!
Chang significa elefante em tailandes, esta é uma das cervejas mais comuns do país
Vendedor oferecendo documentos falsos
Mc Donalds em Khao San road
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Khao san road, o maior hub de mochileiros do mundo
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Lá tive a oportunidade de tomar o autêntico red bull, conheci muita gente interessante, tive a pior ressaca da minha vida (usarei esse termo novamente neste texto), segurei um escorpião vivo e comi um frito no espetinho… é isso mesmo se você tiver coragem poderá provar alguns “petiscos peculiares”, escorpiões, aranhas, larvas de bamboo, gafanhotos, grilos e até mesmo BARATAS são fritos e vendidos para os curiosos.

Antes que alguém suba no salto e diga “nossa que povo nojento”, não é comum ver a população local fazendo isso… na verdade em quase um mês de viagem só vi 1 tailandês comprando insetos para comer e foi em Chiang Mai onde algumas tradições ainda são mantidas. A “dieta” tem origem histórica, enquanto a Europa se matava de trabalhar na revolução industrial, muitos países da Ásia se divertiam fazendo filho… qual a consequência? Os meios de produção e a economia não cresceram na mesma velocidade que a população e algumas gerações depois essa superpopulação se viu forçada a aproveitar qualquer coisa comestível para não passar fome. A crise ficou no passado (hoje a Tailândia, China, Coreia, Hong Kong e ouros países da Ásia estão em patamar igual ou melhor que o Brasil), mas a “fama” e a curiosidade permanecem.

Aqui tem Boom Boom

É inevitável, sempre que eu conto que estive na Tailândia vem a pergunta: “e a massagem tinha final feliz?”. O mercado de massagem na Tailândia realmente é gigantesco (e muito mesclado com o de prostituição), em todos os lugares de todos os tipos, desde tendinhas a beira mar, a luxuosos quartos privativos, ambientes para família e alguns mais masculinos, havia massagistas homens também (

Antes de prosseguir vamos deixar claro: massagem tailandesa não é sexy, erótica nem afrodisíaca! Ela está mais para fisioterápica que para romântica, a pessoa alonga todo seu corpo e faz vários movimentos de alavanca, em alguns momentos a massagista apoia todo o peso do corpo nos cotovelos sobre você, com isso a massagem pode chegar a ser dolorida e não é incomum ouvir gemidos (de dor) nestes ambientes. Por padrão as placas de massagem ofereciam: foot massage, thai massage e oil massage. Para as duas primeiras a sessão é feita num local aberto com várias pessoas fazendo/recebendo simultaneamente, sequer é necessário tirar a camisa.

Eu não economizava nas caminhadas, fazia percursos realmente longos a pé, e ao final do dia era maravilhoso poder parar em algum lugar e com 200baht (menos de 8USD) ter 1 hora de massagem nos pés. Durante os 10 primeiros dias eu fiz massagem todos os dias e não importava o local nem o preço o serviço sempre foi excelente (isso é um parêntese importante de se levantar sobre o país, todos prestam serviço com muito empenho… do passeio vip de lancha a barraquinha de comida na rua, tudo é feito com muito esmero, até o pessoal que tenta superfaturar os preços, depois de negociado, realizava o serviço com qualidade).

As opções de massagem mais comuns
As opções de massagem mais comuns

À noite, alguns lugares colocavam além das tradicionais placas de massagem algumas com o termo “Boom Boom”… era o tal final felizHow it works? Ao pedir por uma oil massage a massagista lhe conduz a um local mais privativo (mas que não necessariamente é um quarto individual, a maioria das vezes era um grande salão com várias divisórias de pano, muito parecido com enfermaria de hospital), nesse local há um pequeno banheiro para você se lavar. Dentro da divisória um colchão no chão e o kit de massagem, a massagista te dá uma toalha e pede que tire toda a roupa (entretanto ela permanece completamente vestida) e faz a massagem com óleo em todo o corpo. A massagem é bem sensual e relaxante, ficar excitado é inevitável e em um dado momento a massagista faz “indiretas” aguardando o cliente pedir o “happy end“. Eventualmente perguntavam “boom boom?” (Em nenhum momento eu ouvi as palavras sexo ou happy end) a tentativa é justificável, enquanto 1 hora de oil massage custava 200baht o boom boom custava outros 1.500baht, ou seja, com um pouco mais de trabalho ela ganharia muito mais dinheiro e depois de 30 minutos de massagem o cliente já estava tão excitado que dificilmente recusaria ou levaria muito tempo no ato sexual.

Uma dica às pessoas que buscam estas aventuras é visitar Pattaya, cidade a cerca de 3 horas de ônibus de Bangkok que tem a economia totalmente voltada a este tipo de turismo (não recomendo para quem viaja em família).

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Massagem a beira-mar
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Um minuto no paraíso

Se você gosta de praias não existe no mundo um lugar melhor que Krabi, a cidade ao sul da Tailândia abriga praias de águas límpidas, calmas e mornas, bem como inúmeras ilhas, algumas das quais cenários de filmes de Hollywood (A praia e James Bond). Uma vez aqui a única coisa que eu queria era uma âncora para nunca mais sair, a beleza do lugar não se resumia as praias (e mesmo que fosse já seria espetacular) havia uma área de reserva florestal de onde por vezes alguns macacos saiam para brincar na praia e também as ilhas que pareciam esculturas em rochas, formando gigantescos penhascos de onde pessoas vem do mundo todo para escalar e saltar.

O passeio por Maya Bay é clássico, mas foi Hong Island que me encantou mais… sem toda fama da primeira, Hong Island, é uma pequena ilha que tem de um lado um mar calmo de água azul claro como o caribe e do outro uma piscina de mar fechado de um azul esverdeado muito bonito. A ilha, que é inabitada e sem hotéis como grande parte das ilhas da região, possui uma estrutura mínima para os barcos pararem e os turistas relaxarem. É essa proibição de construções que garante a região o encanto buscado por tantos. É importante ressaltar que mesmo estando a vários quilômetros do continente o sinal de celular funciona na maioria das ilhas e deixaria todas operadoras brasileiras comendo poeira.

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Vista panorâmica de Hong Island
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Songkran

Apesar de usarem o calendário Gregoriano em algumas ocasiões, o calendário oficial da Tailândia é o lunar (semelhante ao chinês) e os anos são contados a partir da morte de Buda Gautama 543 a.C. Com isso os tailandeses comemoram a virada oficialmente entre 13 e 15 de abril numa festa chamada Songkran. A festa é literalmente banhada a água!! Baldes, pistolas e até mesmo elefantes são usados para molhar os transeuntes, não importa quem ou para onde a pessoa vai se coloca os pés na rua tem que estar disposto a se molhar. A brincadeira é muito divertida e muitos locais colocam música para animar a “guerra” só é preciso ter cuidado para não molhar pertences de valor porque realmente ninguém será poupado.

Full Moon Party

Uma das festas mais famosas do mundo, a FMP é uma rave que ocorre na ilha de Koh Phangan uma vez por mês sempre na noite da maior lua cheia. Devido a notoriedade da festa, pacotes de hospedagem na ilha no período são caros e com mínimo de 3 noites, mas por um erro do booking (e minha felicidade) consegui reservar um hostel por apenas uma noite. O local se chama Wok and the much rooms, e eu preciso fazer a propaganda porque lá eu comi o melhor pad thai de toda a viagem, isso sem falar que é um hostel super acolhedor e agradável, lá eu conheci desde um australiano que fez questão de me chamar de maconheiro em português, a uma chinesa que viajava com a mãe (que tinha uns 60 anos)… isso sem falar no rastafári ariano que chamava muita atenção onde passava (era uma figura bem exótica, mas eu achei bonito… infelizmente tive vergonha de pedir pra tirar foto).

Uma praia pequena (devia ter uns 500m de faixa de areia), muitas luzes pulsantes, vários artefatos pirotécnicos, muita música e é claro a lua… assim é ambientada a festa. Para entrar no clima é possível comprar as camisetas ou tintas que brilham na luz negra, isso sem falar nos baldinhos com bebidas que são obrigatórios e ótimos para compartilhar com os amigos. A festa em si é descentralizada, isto é, há várias tendas tocando músicas diferentes simultaneamente na areia, então apesar de predominar música eletrônica de acordo com o local é possível ouvir música latina ou mesmo “Ai se eu te pego” (que para minha infelicidade eu ouvi em quase todas cidades que fui).

O fogo é uma atração especial da festa e o público interage com ele, há cordas flamejantes para saltar, aros para pular através e ainda varas para cruzar abaixado. E como é de se imaginar, acidentes! Até porque os que beberam mais são os que tem mais coragem de brincar.

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Vista panorâmica de Hong Island
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Ai se eu te pego

Tailandeses em geral são tímidos, calmos e não fazem demonstrações públicas de afeto, mesmo pessoas casadas, em público, dificilmente farão algo mais que andar de mãos dadas. Entretanto a festa é internacional e posso dizer que ao menos 70% do público é turista, então a mecânica não fica muito diferente de baladas em grandes cidades… cheguei na festa sozinho e nos 10 minutos que andava para dar uma olhada geral e encontrar meus amigos, uma garota me puxou pelas costas beijou e disse “cheers from Malaysia”, logo em seguida correu em direção a uma amiga.

Na realidade estava um pouco receoso quanto as interações por causa dos ladyboys (travestis extremamente caracterizados como mulheres), em blogs que li antes de viajar os autores falavam que só abordavam ocidentais justamente para evitar o imprevisto, afinal álcool e escuridão seriam desafios a mais para identificar os ladyboys. Na prática vi que não é bem assim, as vezes de longe não dava para identificar direito, mas chegando perto e principalmente conversando um pouco não era difícil saber se havia um “passarinho na gaiola”.

Um lugar para descansar o espírito

A Tailândia é um país de majoritariamente budista (com alguns recantos muçulmanos principalmente ao sul) os templos, monges e as tradições são respeitados e praticados no cotidiano da população. Muitos dos turistas que aqui chegam, buscam se recompor do ritmo de vida frenético das grandes metrópoles e acalmar o espírito, Chiang Mai parece ser o local perfeito para isso. A cidade, que tem um dos custos de vida mais baixo de toda Tailândia, é famosa por suas reservas naturais de floresta tropical (onde é possível interagir com elefantes), por suas trilhas de caminhada e por manter viva as tradições.

Aqui estive hospedado num hostel (De Vieng) de fazer inveja a qualquer um do Brazil ou mesmo da Europa, os quartos eram amplos e extremamente limpos, havia chaves eletrônicas para os hóspedes, as camas eram maiores que o padrão solteiro do Brazil e o banheiro mais asseado que o da minha casa =O. Mesmo com toda essa estrutura, um café da manhã saboroso e uma ótima localização, desembolsei apenas 12USD por dia para permanecer lá.

Uma recomendação para chegar/sair de Chiang Mai é o trem de/para Bangkok. A Tailândia é um país com boa malha ferroviária e o translado citado é um dos mais concorridos devido a bela paisagem e ao baixo custo, devendo ser buscado com antecedência (quando procurei só havia para 15 dias adiante para segunda classe).

Escadaria de Doi Suthep
Escadaria de Doi Suthep, templo mais famoso de Chiang Mai

Olha o passo do elefantinho

Nenhum texto sobre a Tailândia está completo sem falar desses magníficos animais, mas esse é um ponto igualmente importante e complexo. Elefantes são animais belos, grandiosos, encantadores, mas não animais de estimação. Por serem inteligentes e fortes são treinados a fazer infinitos truques para impressionar os turistas desde carregar uma carroça num passeio, até mesmo pintura, dança e partidas (sic) de futebol. Todo esse espetáculo circense esconde muita crueldade e sofrimento para os bichinhos, não é porque ele é inteligente que sua tromba foi concebida para segurar um pincel… tampouco a natureza esperava colocar sobre duas patas para dançar um animal de 2 toneladas, isso sem falar em todo o processo de aprendizagem desses truques que passa longe do conforto e bem-estar dos animais. O mahout (espécie de adestrador dos elefantes) usa como instrumento de comando uma FOICE e quando quer indicar um truque ou repreender o elefante, dá um golpe em sua testa é possível avistar por toda Tailândia animais que tem cicatrizes na testa ou deformações na orelha em decorrência desse tratamento. É tudo muito triste e o cenário é colaborado pela legislação tailandesa que permite o uso de força contra os elefantes.

E a culpa de tudo isso é nossa! Bobões que financiam a alienação de animais em prol de um espetáculo circense, mas este sermão não objetiva criminalizar todos que desejam ter o contato com algum animal exótico, mas sim conscientizar o turismo consciente, é sim possível conhecer elefantes e interagir com eles sem financiar o tratamento desumano aos animais. Como? Basta pesquisar! Não é difícil encontrar relatos de outros viajantes sobre as diversas fazendas de elefantes existentes, bem como os próprios sites e folhetos que descrevem as atrações e a partir daí julgar se é um lugar digno de você entregar seu dinheiro (particularmente qualquer lugar que utilizava os termos: dancing, painting… estava fora da minha lista, vou deixar o link dos que eu julguei bons, o que não impossibilita de haver outros: Ran-TongPataraNature Park).

Fiz o passeio de 1 dia com a equipe do Ran Tong e gostei muito de tudo. O local fica fora da cidade, a aproximadamente 1 hora de van, logo na chegada um guia explica a origem do local, criado para abrigar elefantes que sofriam abusos ou foram abandonados por estarem doentes/velhos na entrada havia um elefante pequeno que agiu igual um cachorro quando recebe visita, balançando das orelhas e andando de um lado para o outro querendo atenção. Não havia correntes, foice ou outros instrumentos de repressão, para cada elefante havia 1 mahout isso garantia mais familiaridade e segurança para os animais e turistas. O passeio consistia de uma caminhada nas costas do elefante, uma pausa para o banho deles e um momento para alimentá-los, as fotos estavam inclusas desde que você leve sua câmera e o almoço também.

elefante brincando no banho
alimentando o elefante
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Trilha de carona no elefante
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About bolds

Rafael Lima, autor do tomate chinês, tem 26 anos é formado em computação e trabalha numa empresa de petróleo. Criou o site para explorar o seu potencial criativo que ficava reprimido dentro do escritório.